segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Adeus e até breve num bosque perto de nós.

Acabou mais uma época de caça ás Galinholas em que vivemos até ao último dia as mais verdadeiras e mais puras emoções que a caça de salto pode proporcionar.
Depois de uma manhã abrigados da chuva seguiu-se uma excelente churrascada no monte, no fim e para fazer cumprir o ritual do fecho, uma voltinha "becadera".
Três levantes e duas paragens sem abate fecharam a época. A primeira galinhola foi parada demasiado longe, procuramos a localização do incessante beep no bosque durante largos minutos, adrenalina em estado puro corria pelas veias, uma verdadeira saga filmada com os meios que tinha à mão, infelizmente o lance não foi coroado com o éxito do abate, que seria uma recompensa mais do que justa para o trabalho dos nossos setters.

Mais tarde um estrondoso levante por entre as ramagens dos densos pinheiros novos sem dar tempo de reacção suficiente para levar a arma á cara, (talvez fosse a do primeiro levante que saiu picada pelo barulho da vegetação a partir com a nossa aproximação).
Por fim, na volta de regresso, novamente o beep nas nossas costas a pedir auxilio, aproximamo-nos rápidamente, segue-se um breve silêncio, mais beep, silêncio, mais beep... e por fim galinhola lançada aos céus completamente encoberta pelas acácias.
Mágico demais para conseguir exprimir por palavras estes lances e esta caça das enigmáticas Galinholas.
Faltam 259 dias...



segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma manhã especial

Resignados a dois, um e bastantes nenhuns levantes por dia de caça, uma manhã como a de ontem, nesta época, dará certamente para suportar muito melhor esta semana de trabalho a recordar e reviver compulsivamente os fenomenais lances mágicos de galinholas.

Decidimos caçar numa enconsta virada a norte num cerrado bosque de pinhal novo, acácias velhas e tombadas com uma ou outra clareira aberta por pequenos nichos de carvalhos ou castanheiros, uma encosta bem abrigada das intensas chuvadas da semana passada, e que se revelou ter sido uma boa aposta para esta jornada.

Ao fim da manhã conseguiamos contabilizar quatro excelentes bloqueios, dois levantes largos e não forçados, uma galinhola avistada em forma de torpedo a descer a encosta por cima do denso pinhal cerrado, e acreditamos que mais alguns levantes aconteceram sem sequer os termos visto.
No final conseguimos um saldo com zero abates, mas uma das jornadas mais positivas desta época.
Dizem que a caça á galinhola é dura e ingrata...nós gostamos assim, pura e dura para caçadores puros e duros!
Se podermos adicionar a este espírito, galinholas de época avançada, e que já sabem bem o que têm de fazer tanto melhor.

Algumas imagens que explicam parcialmente como nem sempre podemos assistir com sucesso o trabalho dos nosso cães, subir ou descer dezenas de metros em terrenos com declives acentuados e altamente escorregadios, por entre silvas e lenhas tombada, faz com que nem sempre o discernimento nos acompanhe no momento de premir o gatilho.

Pinhal para um tiro de grau no mínimo difícil.

Um bosque de acácias
 
 As pequenas clareiras por onde se deixam cair depois de levantadas

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O primeiro dia de Galinholas de um amigo...

Combinei para ontem tirar um dia de férias e levar pela primeira vez, á caça da Galinhola, o nosso amigo Tito. Um jovem que está neste momento a dar os seus primeiros passos no mundo cinegético.
É sempre um prazer, mas tambem obrigação de todos nós caçadores, para com quem está em fase de iniciação e aprendizagem no mundo da caça. Sem querer servir de exemplo para ninguem, é esta a nossa postura no mundo da caça.

Começamos a jornada por volta das 9 horas tendo conseguido o primeiro levante pouco depois...(seria galinhola?! não seria?! como em tantos outros casos fica a dúvida...)
Mudamos de sítio e outro levante, relativamente largo na nossa direcção, fomos no encalço e o brinde para o nosso amigo iniciante, a bela dama dos bosques levanta-lhe a escassos dois metros dos pés.
Presumo que assim como o meu primeiro levante de Galinhola, aquele salto e bater de asas dificilmente lhe sairá da cabeça...
Tentamos adivinhar pela terceira vez onde ela se teria refugiado e fomos á nossa sorte, a mesma ou não, depois de alguns beeps no meio do giestal exibe-se por alguns segundos, um magnifico vôo rasante em nossa direcção e um disparo fácil demais termina o lance.

Um jovem exemplar que estava naquele momento em plena refeição.


Aproveitando o bom dia para a caça e as últimas entradas/movimentações demos uma breve voltinha no fim da "bucha" e visitamos um outro bosque de carvalhos ladeados por um velho giestal. Conseguimos apenas um tipico e valioso lance de galinholas, uma grande paragem seguida de uma curta guia, um salto fenomenal em direcção ao céu, dois tiros "ás sombras" pelas ramagens do denso carvalhal, e a ave a cair de asa.
Momentos mágicos que decerto serão guardados na memória de quem estou convicto procurará encarar a caça com o maior respeito e dignidade.
Um abraço e bom Natal a todos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mais uma época das tão aguardadas Galinholas

A época já vai bem entrada e as galinholas avistadas são muito poucas para considerar que vamos ter um ano bom.
Contudo na minha opinião, e para a nossa zona de caça, estamos nas "jornadas decisivas" para sabermos se a época ainda pode, ou não, proporcionar lances de mais alguns passáros que já cá tenhamos ou recém entrados.
Passa hoje uma semana da Srª da Conceição, e as galinholas ou estão ou não estão.
Domingo num bosque longe de todos esperamos auxiliar com dignidade o bravo trabalho dos nossos amigos setters e viver mais lances de pura magia cinegética...


Um mágnifico vale a amanhecer para uma bela jornada de caça e de frio.

 Uma galinhola adulta com 352gr.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

No limite dos limites.

Após uma abertura geral marcada pela chuva e vento intenso com a esperada "grade" como único troféu do dia.
A segunda jornada com um dia muito bom para a caça, uma ou outra codorniz nos restolhos, alguns pequenos bandos de perdizes encontrados, duas belas paragens e uma perdiz juvenil abatida. O terceiro dia deu para dar uma boa dezena de tiros e quase ao fechar do pano, no limite de todos os limites um lance daqueles que apenas acontece para recompensa dos que nunca desistem, dos que insistem em subir e descer encostas levantam e tentam partir bandos de perdizes que teimam em não levantar a tiro.
Esta jornada obrigatóriamente teria de ficar registada para memória futura. A perdiz da foto representa muito mais além do abate conseguido em mais uma jornada.
Toda a mestria e bravura da genuína perdiz vermelha está reflectida neste exemplar que apenas se deixou ficar a tiro faltava pouco mais do que meia hora para o ocaso solar, o vale do amendoal que tinha servido de refúgio ao 5 levante para aquela parte do bando foi o cenário, talvez na tentativa de regressar ao local de querença para pernoitar, o bando decidiu levantar na direcção do sol contornando cão e caçador.
A imagem da peça de caça vencida a bater no chão xistoso seguido pelo cobro tendo como pano de fundo o sol já baixo e fraco, ficará como um daqueles lances de caça que jamais se conseguirá descrever por meras palavras.